quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Não entendo mais nada. Acho que estou ficando ultrapassada, ou melhor "outdated", pois não entendo mais tão bem a modernidade. E principalmente não entendo os relacionamentos humanos... ou a falta deles.
A nova forma de se relacionar que o ser humano adotou na modernidade é estranha pois se caracteriza pela falta de um verdadeiro relacionamento.

É como um grande Twitter da vida. As pessoas só compartilham fragmentos, pequenos pensamentos, pequenos momentos de suas vidas. Compartilham quase nada, mas a enxurrada de pessoas que interage com aquilo é surpreendente. Todos querem todos por um breve instante. E depois nada.

Eu até possuo um cadastro no famoso site Twitter, mas não costumo postar e raramente leio aqueles ínfimos fragmentos da vida alheia. São enfadonhos e incompletos. Eu não gosto de limites e o Twitter me limita a 140 caracteres, não posso compartilhar mais num mesmo momento. Ele fragmenta meus pensamentos e meu ser. É ruim demais. É pouco pra mim.

Mesmo correndo o risco de ser considerada fora de moda, eu continuo querendo gente e relacionamentos verdadeiros. Apesar disso, transito bem nesse mundo de fragmentos, no qual as pessoas começam a se conhecer através de curtas frases no MSN, seguidos por curtos telefonemas, depois se atracam numa cama qualquer, compartilhando carícias e partes de suas histórias de vida, só para depois sumirem no tempo e no espaço, como se não tivessem existido uma na vida da outra.

Acho esse comportamento nojento, mas é assim que se estabeleceu. Há facilidades demais. Não há mais tempo nem interesse em se conhecer o outro. O uso das pessoas por outras pessoas é cada vez mais difundido, como produtos em prateleiras de supermercado, ou em sites de relacionamento onde se escolhe o melhor pelas fotos e perfil, experimenta-se e, se algum pequeno aspecto não agradar, joga-se fora. Nova busca... novos usos... novo descarte...

Costumávamos dizer que os seres humanos eram gregários, que andavam em bandos, que a tradição era passada entre gerações... Esse conceito mudou muito e hoje digo que os seres humanos só passam uns pelos outros sem deixar nada além de uma vaga lembrança e as gerações nem conversam, o que é triste.

A era Twitter nos tornou pequenos, rasos, incapazes de nos relacionar uns com os outros e desinteressados na grandeza interna que existe em cada um de nós e que leva-se tempo para conhecer.

E eu fico aqui, refletindo sozinha, sobre onde isso irá me levar pois tenho conteúdo demais e um coração grande demais pra ser conhecida apenas por fragmentos de uma noite, uma tarde, uma frase de Twitter, uma pequena conversa via internet. E odeio a conversa muda do dia seguinte de quem não se conhece!

E viva os blogs, onde posso escrever sem limite... e viva as pessoas que ainda, como eu, desejam viver uma vida plena realmente interagindo com outras pessoas, que é de onde se tira a verdadeira essência da vida!

1 comentários:

  1. Simplesmente adorei...
    Todo mundo conhece um bando de gente, só que superficialmente e, com isso, a consideração deixa de existir.

    ResponderExcluir