Uma desgraça essas mulheres covardes. Não evoluídas, incompreensivas, donas da verdade. E o pior, cegas, achando que são incompreendidas, injustiçadas... e tomando isso por verdade, espalham injustiças por todos os lados.
Claro que elas têm alguma razão para serem assim. Todo mundo pode realmente sentir-se incompreendido, e às vezes, durante um furacão, achar que é o dono do mundo, que “foda-se” tudo e que vai fazer agora o que bem entender. É uma forma de proteção. De reação. Normal.
Se os sentimentos confusos, a raiva, a depressão, as maldades ficassem apenas dentro da cabeça dessas mulheres, tanto melhor. O implacável e tranquilo tempo se encarregaria de acalmá-las e trazer a razão. Ou alguma terapia. Ou até um novo amor.
Porém, a desgraça dessas mulheres é misturar tudo. Não conseguem enxergar um palmo na frente do nariz e deixam as emoções embaçarem o pouco que vêem. Chacais disfarçadas de mamães. O resultado? Um monte de gente sofrendo... desnecessariamente. Incluindo elas mesmas. Não conseguem escolher outro caminho, o caminho da auto-reflexão, seguindo em frente, evoluindo, “passando pra outra”... Ao contrário, como feras feridas, só querem vingança. Irracionais.
Essas mulheres, terríveis víboras, dedicam todo o seu tempo e voltam todo o seu ódio a qualquer um ao seu redor, e, em seu turbilhão de emoções raivosas, não protegem nem a própria cria. Covardes! Atacam quem menos merece, aqueles serezinhos que dizem amar tanto. Mas não enxergam que dificultando a vida do pai, dificultam a própria vida e principalmente da criancinha, essa sim, incompreendida e indefesa.
Imbecis! Não sabem sofrer com dignidade. Quem nunca sofreu? Quem nunca foi traído? Quem nunca se machucou tanto que as lágrimas foram pouco? Foda-se a isso! Sofram com dignidade e sabedoria, mulheres! Não espalhem sofrimento. Aceitem que as coisas acontecem e que não é o fim do mundo! Chorem, mas não façam chorar! A vingança não é boa pra ninguém. Acreditem, não é! Dá câncer!
Seres do mal! Incapazes de compreender a grandeza da vida frente a seus próprios problemas. Fracas. Monstruosas. Hienas da dor, riem do sofrimento alheio.
E ainda distribuem mentiras, em sua dedicação máxima para destruir o “inimigo” que criaram, tomando atitudes precipitadas e agressivas. Perdidas em seus próprios problemas emocionais. Pobres de espírito. Ridículas! Burras!
Pena que deixarão marcas indeléveis em quem menos tem a ver com todo esse mal...
Terminarão sozinhas e infelizes!
Moods' Journal
quarta-feira, 22 de maio de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
Plano de vida
Eu tenho um plano. Plano de vida. Pensado e repensado, imaginado. Apenas imaginado...
Comentei com alguns, falei com outros e a cada vez que falava sobre meu plano, ele ia ganhando força, contornos e melhorias. Eu também ia reforçando na minha cabeça as consequências desse plano. Imaginando, apenas imaginando...
Por dica do meu pai, coloquei o plano no papel e chamei de “plano de vida”. Nome significativo para mais uma das reviravoltas da minha vida. Fiquei olhando para o plano no papel. Ele continha ações a serem tomadas, providências e até alguns cortes no orçamento. Mas era só uma estimativa. Não dá pra realmente saber como vai acontecer, até que aconteça.
Por insistência do meu marido, refiz o currículo, com objetivo de atuar como estagiária de direito. Ele apostava em mim, que eu conseguiria algum estágio. E eu demorei a enviar porque sabia o que viria a seguir... Entrevistas! E com elas, decisões....
Claro que o plano previa a demissão do meu atual emprego e uma fase sem dinheiro e tal, mas... não era agora! Acontece que ontem enviei currículos pelo site da faculdade e hoje já tenho marcada uma entrevista de estágio para hoje mesmo! Que doideira!
Fiquei ansiosa, agitada... Não consigo mais trabalhar, nem pensar em outra coisa. Sei que a entrevista é só uma entrevista, e que pode ser que eu não goste do escritório nem ele de mim. Porém, é o início do plano...
É a evidência de que o plano está tomando forma.
O plano está vivo. E eu vou vivê-lo em breve.
E claro que estar desempregada, apenas estagiando aos 35 anos e com uma casa pra sustentar não é nada divertido. Porém é necessário. Preciso dar um (vários) passos pra trás se eu quiser realmente viver a minha carreira escolhida.
O plano é esse. Mudar de carreira. Ou melhor, começar na carreira jurídica. Mudar de vida.
E a entrevista para o primeiro escritório de advocacia em que vou colocar os pés é daqui a pouco...
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
Bala que dá saciedade
Fui na nutricionista ontem. Notícia boa: não engordei. Notícia ruim: só perdi 1kg e 3cm de quadril em 2 meses. Podia ser melhor, né? Então ela sugeriu uma bala que dá saciedade. É da geração dos nutricosméticos, tecnologia de ponta em nutrição, essas coisas que encarecem... E lá fui eu na farmácia ver a tal bala.
Entrei na farmácia gigantesca, mais parecendo um supermercado e, perdida, resolvi pedir ajuda. O problema começou com o nome do produto que, obviamente, não era conhecido de nenhuma atendente. Nem é muito pronunciável...
- Por favor, você sabe aonde posso encontrar o Slim Gum?
- Hã? – torceu a cara a atendente e olhou em dúvida para a outra ao lado. – O quê?!
- É, "Slimmm GÃm" – tentei aportuguesar o nome da maldita bala, porém saiu com sotaque quase britânico. Impossível a compreensão.
E diante da cara apaspalhada das duas atendentes da farmácia, simplifiquei:
- Ah, é uma bala... – desisti. – Me mostrem onde fica a parte de dieta e suplementos que eu acho.
Sim, achei. A cara de alívio das duas quando eu disse algo que elas soubessem responder não tinha preço. Pois é... Dei de cara com o preço da maravilhosa bala da saciedade. Setenta reais. Setenta!
Ok. Não é uma simples bala. É uma bonita caixa com 30 enormes balas sabor morango ou laranja, à base de óleo de palma, colágeno hidrolisado e óleo de aveia. Não vi nada demais. Nem fibras, nem substâncias que mexem com o sistema nervoso central, nada que eu soubesse que poderia enganar o cérebro na luta contra a balança. Setenta reais? Hummm... R$ 70,00?... Não, acho que não.
Fui embora da farmácia disposta a pesquisar mais preços e opiniões pela internet. Não achei muita coisa. O que achei foram matérias pagas repetindo o mesmo texto do fabricante e uns blogs aqui e ali de ex-gordas e gordinhas-na-luta que testam todas as novidades do mercado de emagrecimento dizendo que as balonas tinham um gosto ruim demais, porém funcionavam pra umas e não pra outras.
Voltei na farmácia hoje, não resisti à curiosidade, e comprei. Ah!... o que a gente não faz pelo emagrecimento? Setenta reais mesmo na internet. Pelo menos na farmácia não tinha frete e eu não tinha que esperar pra testar. Comprei.
Esperei ansiosamente a hora de tomar. Depois do almoço. Tem que comer a bala umas 2 horas antes da hora em que você sente mais fome. 1 bala por dia. No meu caso, seguindo a dieta não sinto fome hora nenhuma, porém não tenho conseguido me controlar à tarde, desesperada pra comer um chocolate ou outra guloseima. Então tomei depois do almoço.
O pacote da bala vem em forma de blíster de remédio. Como se fossem enormes cápsulas de remédio, de uns 3cm de diâmetro e 1,5cm de altura. Enormes geléias com cheiro de morango. Enfiei na boca... Não dá pra chupar porque a consistência é de uma jujuba dura! É enorme, então só dá vontade de morder, mastigar todinha. Apavorante o gosto!!! Não se pode chamar aquilo de bala, é remédio! E tem gosto de remédio de cachorro vencido!
Acho que funcionou, pois no lanche da tarde eu não queria comer nem uma fatiazinha de melancia, que gosto tanto. Muito menos tomar o shake. A bala me deixou enjoada e com uma sensação de que eu não precisava comer mais nada. Não estava cheia. Saciada mesmo. Porém enjoada. É, deve ser a tal saciedade vendida pela propaganda.
Mas acho que a bala funcionou por dois motivos:
1 – Você fica enjoada lembrando do preço de R$ 70 que pagou pelo pacote de balas;
2 – Você fica enjoada com o gosto, parecendo que chupou gato molhado e não quer comer nada.
Continuarei usando as balas e até indico pra quem quiser controlar o apetite de uma forma mais natural, mas, estejam alertas: é horrorosa a bala!
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Orgulho da vida vivida
Mais uma sensação de vitória, de trabalho bem feito. Estou radiante! Feliz com mais esse acerto.
Após um esforço de nove longos anos na faculdade, finalmente chegou a hora de cursar a tão falada disciplina "TCC". Sinal de conclusão à vista... Finalmente!
Li, li, pesquisei, li mais, li de novo. Então sentei na frente do computador e em alguns minutos uma torrente de palavras brotou de mim quase instintivamente. Eu escrevia a introdução do meu trabalho sobre "barriga de aluguel". Tema polêmico, como não poderia deixar de ser, e no qual eu quero defender a ciência, mostrando que o direito tem que acompanhar as mudanças tecnológicas e sociais...
Eis que eu entreguei a primeira parte do trabalho de conclusão de curso... a professora leu em silêncio, caneta vermelha em riste... de repente levantou a cabeça, sorriu e disse que estava ótimo! Não riscou nadinha! Não havia nada pra mudar!
O mais legal foi observar a diferença nos olhos da orientadora ao ler os demais trabalhos. Parecia entediada, aborrecida, lendo mais do mesmo, retocando aqui e ali. Mas ao ler o meu ela, sempre carrancuda, até sorriu.
Isso me encheu de orgulho! Orgulho dos meus 35 anos de idade e de tudo que aprendi neles. Um conhecimento adquirido através de quatro faculdades tão diferentes entre si, e experiências de vida que me levaram a lugares tão longínquos quanto a Ucrânia.
Orgulhei-me de todos os cursos superiores, mesmo da estranha Microbiologia e da inútil graduação em Turismo. Na verdade, a gente sempre carrega algo consigo. E essas coisas que escolhi viver foram me moldando, e me fazendo quem sou agora... a maturidade que tenho.
Tive orgulho de não ser mais aquela jovenzinha imatura, crua, que tem que aprender do zero.
Tive orgulho de ter responsabilidades na vida, a vida corrida, de ter determinação pra terminar essa longa faculdade de Direito em nove anos e meio, com dedicação e não de qualquer jeito.
Agradeço ao meu pai por me mostrar como pensar, criticar, ler nas entrelinhas e criar.
Agradeço à minha mãe pela inspiração para ser guerreira e por me mostrar os caminhos da prosa e da poesia, me estimulando desde criança.
Entregar esse primeiro rascunho (praticamente pronto) da introdução do TCC tem um significado muito maior do que apenas a apresentação de um trabalhinho acadêmico!
Pra mim, o sincero sorriso da orientadora, habituada a ler milhares de TCCs foi gratificante pois coroou com louvores meu esforço e dedicação. Deu sentido às horas gastas lendo livros sobre o assunto e pesquisando os diversos ângulos. Honrou todo o raciocínio que dediquei a criar um ponto de vista novo, de um assunto polêmico e já bem debatido.
Fiquei feliz e com a boba sensação de que eu posso tudo que eu quiser... desde que me esforce.
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quinta-feira, 7 de março de 2013
O protesto pela luz
Saindo da faculdade, 8h da noite, a chuva de verão desabou. Aquela água grossa, pesada, que cai com vontade... e que, no Rio de Janeiro, instala o caos! A chuva encheu as ruas em poucos minutos, destruiu árvores, lançou muitos raios sobre a cidade. O lixo se encarregou de tampar os bueiros e emporcalhar todas os cantos do Rio e redondezas. Assim, levei quatro horas para chegar em casa nessa noite! Horas e horas engarrafada, praticamente estacionada numa das principais avenidas do centro do Rio, só porque a cidade não suporta uma chuva que cai da mesma forma todos os anos. Alagamentos, mortes, falta de luz, lixo, lama, resgates, botes, bombeiros... E viva o poder público!
Chegando em casa, início da madrugada, quase 1h da manhã, cansada, com sono, com fome e irritada, me deparei com outra situação super comum durante as chuvas de verão do Rio: a falta de luz! O maridão já me esperava sozinho no breu do ponto de ônibus e fomos praticamente tateando até em casa. Velas por todos os lados pra afastar a escuridão e encontrar nossas coisas. Hora de tentar dormir...
Escuro, calor, mosquito... Abri as janelas e os mosquitos invadiram o quarto. Já acostumados, eles certamente riam do repelente, nossa vã tentativa de afastá-los. O calor trazia o suor e o desconforto impedia qualquer possibilidade de sono. Inônia o resto da noite... Cansaço acumulado. Pronto, 5:15h da manhã de novo, hora de levantar pra trabalhar... E nada da energia voltar.
Irritada e mais cansada do que no dia anterior, fui trabalhar. Os olhos ardendo, eu não era capaz de raciocinar. A falta de sono tirara de mim a vontade de me mexer. Fiquei vegetando em frente ao PC o dia todo. Não trabalhei, e saí mais cedo para finalmente dormir.
Chegando em casa a pior notícia de todas: ainda não havia voltado a eletricidade!
As pessoas nas varandas, cheias de calor, a vizinha velhinha tendo que ir para a casa de alguém da família onde tinha ar condicionado pois estava passando mal, e as pessoas revoltadas por estarem com calor e perdendo os alimentos da geladeira. Quase 24h sem luz! Absurdo! O governo me rouba o digno direito de dormir no conforto da minha casa! Após o banho, deitei no chão da varanda pra absorver o geladinho do piso frio e tentar amenizar o calor... O marido pendurado no telefone fazendo outra rclamação sobre a falta de luz, e anotando mais um protocolo de atendimento.
De repende ouvi uma gritaria do lado de fora da vila. Apurei os ouvidos e entendi o que diziam:
- Queremos luz! Queremos luz! Queremos luz!
Mulheres e crianças gritavam, amontoadas na entrada da rua principal. Carrinhos de bebê, crianças de colo, adolescentes descalços e sem camisa. Homens chegaram trazendo um pneu que pretendiam queimar. Haviam cartazes onde lia-se "Ampla irresponsável", "Outra vez sem luz", "Até quando?" e coisas do tipo. Era um protesto ali, na minha porta!
Simpatizantes da causa, fomos eu e o marido lá pro meio da confusão. Encontramos os vizinhos todos da vila por lá também. Olhávamos meio acanhados o movimento do pessoal da comunidade. Eles realmente eram bons em fazer barulho! Três carros de polícia cheios de PMs fortemente armados nos olhavam do outro lado do cruzamento. O movimento de carros na hora do rush sendo atrapalhado pelo protesto.
Uma mulher pequena, mulata, com a pele surrada de sol, short jeans, blusinha e chinelo liderava o protesto com maestria. Com um cartaz na mão ela ficava literalmente no meio da rua e gritava palavras de indignação com a concessionária de energia elétrica. E o povo aplaudia em coro! Era ela quem deteminava que carros poderiam passar na rua e organizava a confusão. Ela incitava o povo a reclamar. Foi logo apelidada por nós de "barraqueira do bem", porque ela usava aquele jeitão esporrento e de baixo nível por uma causa nobre.
Observei uma aglomeração na esquina e vi que dali saía a distribuição da cerveja! Claro, protesto que é protesto tem que ter cerveja no Brasil. Só faltou a música. E a mulher continuava gritando, com mais outras duas que lhe davam apoio:
- Quero minha luz! Tô com minhas carnes estragando na geladeira e o corpo todo picado de mosquito! Só quero a minha luz! Tô cansada de tá sem luz!
- Êêêêê!!! - gritava o povo em uníssono. - Queremos luz! Queremos luz!
Aí ela virou para o lado onde estávamos eu, meu marido e os moradores da nossa rua e gritou apontando pra nós:
- Esse pessoal "da cidade" tá aqui! Eles não estão gritando que nem a gente, mas estão aqui do nosso lado! Isso é que é importante! Estão participando do nosso protesto!!!
- Êêêêê!!! - respondia o povo.
Uma outra mulher líder do movimento, com aquele jeitão típico de bandido, se aproximou de nós com seu top cor de rosa pink e minúsculo shortinho e disse:
- Vocês, "da cidade", não sabem o que é mosquito! Mosquito, lá no mato, carrega!!!
O "mato" a que ela se referia era a vegetação nos arredores do morro onde eles moravam. Se eu já tinha problema com mosquitos, ali pertinho do asfalto, imagina aquele povo! Se eu, que tinha freezer, já estava contando as horas pra morte das carnes e frangos congelados, imgagina aquele povo... Só protestando mesmo!
De repente chegou um carro da Ampla. O povo gritava tanto que o motorista do carro resolveu não parar para fazer o conserto! Fugiu!!! Os manifestantes gritaram pelo apoio dos PMs e uma viatura da polícia logo seguiu o carro fujão da concessionária e os trouxe de volta para fazerem o conserto. O povo foi à loucura!
Assim que o carro estacionou sob o poste onde o transformador tinha estourado um bando de meninos da comunidade subiu no carro dizendo que eles só sairiam dali quando a luz tivesse voltado! Boa manobra! Sequestraram os caras! Os trabalhadores da Ampla não tiveram outra opção a não ser consertar a maldita luz. Foram escoltados por dois carros lá pra dentro da rua, devia ser onde era o tal "mato" onde aquele povo morava. De lá, os homens não voltaram...
A noite caía quando, desanimados, voltamos pra casa pra jantar. Fizemos um macarrão à luz de velas (nada romântico). De casa eu ainda podia ouvir o protesto e ver as luzes vermelhas da polícia piscando. Resolvemos voltar para a manifestação e ver como andavam as coisas. Mais de 24 horas sem luz!
Voltamos quando outros carros da concessionária, muito festejados, chegaram e vários técnicos passaram a trabalhar em diversos postes. A noite caiu de vez. A maioria dos vizinhos, conversando entre si, já duvidava que conseguíssemos luz naquela noite, pois havia passado o dia inteiro e ninguém tinha vindo consertar nada! Mas a luz foi acendendo. Primeiro uma fase... o povo fez um minuto de silêncio. Aguardando... Outra fase voltou e o povo gritava feliz... Mas ninguém arredou pé do protesto. Incrédulos, ficamos esperando.
Três minutos de luz e... BOOOM!!! O transformador estourou de novo! Na frente de todo mundo, na fuça dos técnicos da Ampla e da polícia. Tudo no escuro de novo! Eu não acreditava! Um vizinho que morava na frente do poste que havia estourado, contava que tinha perdido a geladeira e outros eletrodomésticos com os picos de luz e que estava preparando um processo coletivo contra a concessionária. Também disse que assistiu ao transformador, aquele mesmo, pegar fogo na noite anterior, quando começara a falta de luz. Situação absurda pro cidadão!
Finalmente, às 8h da noite a luz voltou de vez! Celebração em massa. Mas antes do povo se dispersar, a "barraqueira do bem" veio cumprimentar os moradores da nossa travessa.
- Olha, obrigada vocês aí por terem participado do nosso movimento. - dizia ela e apertou a mão de cada um de nós.
Dissemos que era nosso interesse também estar ali e que ela não tinha o que agradecer. Terminamos dizendo que se ela se candidatasse a qualquer coisa, a gente votava nela, pois ela tinha o dom, a mulher que resolve! Ela se foi toda sem graça com os elogios, dizendo que não tinha feito nada de mais não.
O Brasil precisava de mais gente barraqueira assim. Com mais protestos, as coisas iriam melhorar por aqui...
Fui dormir feliz.
Chegando em casa, início da madrugada, quase 1h da manhã, cansada, com sono, com fome e irritada, me deparei com outra situação super comum durante as chuvas de verão do Rio: a falta de luz! O maridão já me esperava sozinho no breu do ponto de ônibus e fomos praticamente tateando até em casa. Velas por todos os lados pra afastar a escuridão e encontrar nossas coisas. Hora de tentar dormir...
Escuro, calor, mosquito... Abri as janelas e os mosquitos invadiram o quarto. Já acostumados, eles certamente riam do repelente, nossa vã tentativa de afastá-los. O calor trazia o suor e o desconforto impedia qualquer possibilidade de sono. Inônia o resto da noite... Cansaço acumulado. Pronto, 5:15h da manhã de novo, hora de levantar pra trabalhar... E nada da energia voltar.
Irritada e mais cansada do que no dia anterior, fui trabalhar. Os olhos ardendo, eu não era capaz de raciocinar. A falta de sono tirara de mim a vontade de me mexer. Fiquei vegetando em frente ao PC o dia todo. Não trabalhei, e saí mais cedo para finalmente dormir.
Chegando em casa a pior notícia de todas: ainda não havia voltado a eletricidade!
As pessoas nas varandas, cheias de calor, a vizinha velhinha tendo que ir para a casa de alguém da família onde tinha ar condicionado pois estava passando mal, e as pessoas revoltadas por estarem com calor e perdendo os alimentos da geladeira. Quase 24h sem luz! Absurdo! O governo me rouba o digno direito de dormir no conforto da minha casa! Após o banho, deitei no chão da varanda pra absorver o geladinho do piso frio e tentar amenizar o calor... O marido pendurado no telefone fazendo outra rclamação sobre a falta de luz, e anotando mais um protocolo de atendimento.
De repende ouvi uma gritaria do lado de fora da vila. Apurei os ouvidos e entendi o que diziam:
- Queremos luz! Queremos luz! Queremos luz!
Mulheres e crianças gritavam, amontoadas na entrada da rua principal. Carrinhos de bebê, crianças de colo, adolescentes descalços e sem camisa. Homens chegaram trazendo um pneu que pretendiam queimar. Haviam cartazes onde lia-se "Ampla irresponsável", "Outra vez sem luz", "Até quando?" e coisas do tipo. Era um protesto ali, na minha porta!
Simpatizantes da causa, fomos eu e o marido lá pro meio da confusão. Encontramos os vizinhos todos da vila por lá também. Olhávamos meio acanhados o movimento do pessoal da comunidade. Eles realmente eram bons em fazer barulho! Três carros de polícia cheios de PMs fortemente armados nos olhavam do outro lado do cruzamento. O movimento de carros na hora do rush sendo atrapalhado pelo protesto.
Uma mulher pequena, mulata, com a pele surrada de sol, short jeans, blusinha e chinelo liderava o protesto com maestria. Com um cartaz na mão ela ficava literalmente no meio da rua e gritava palavras de indignação com a concessionária de energia elétrica. E o povo aplaudia em coro! Era ela quem deteminava que carros poderiam passar na rua e organizava a confusão. Ela incitava o povo a reclamar. Foi logo apelidada por nós de "barraqueira do bem", porque ela usava aquele jeitão esporrento e de baixo nível por uma causa nobre.
Observei uma aglomeração na esquina e vi que dali saía a distribuição da cerveja! Claro, protesto que é protesto tem que ter cerveja no Brasil. Só faltou a música. E a mulher continuava gritando, com mais outras duas que lhe davam apoio:
- Quero minha luz! Tô com minhas carnes estragando na geladeira e o corpo todo picado de mosquito! Só quero a minha luz! Tô cansada de tá sem luz!
- Êêêêê!!! - gritava o povo em uníssono. - Queremos luz! Queremos luz!
Aí ela virou para o lado onde estávamos eu, meu marido e os moradores da nossa rua e gritou apontando pra nós:
- Esse pessoal "da cidade" tá aqui! Eles não estão gritando que nem a gente, mas estão aqui do nosso lado! Isso é que é importante! Estão participando do nosso protesto!!!
- Êêêêê!!! - respondia o povo.
Uma outra mulher líder do movimento, com aquele jeitão típico de bandido, se aproximou de nós com seu top cor de rosa pink e minúsculo shortinho e disse:
- Vocês, "da cidade", não sabem o que é mosquito! Mosquito, lá no mato, carrega!!!
O "mato" a que ela se referia era a vegetação nos arredores do morro onde eles moravam. Se eu já tinha problema com mosquitos, ali pertinho do asfalto, imagina aquele povo! Se eu, que tinha freezer, já estava contando as horas pra morte das carnes e frangos congelados, imgagina aquele povo... Só protestando mesmo!
De repente chegou um carro da Ampla. O povo gritava tanto que o motorista do carro resolveu não parar para fazer o conserto! Fugiu!!! Os manifestantes gritaram pelo apoio dos PMs e uma viatura da polícia logo seguiu o carro fujão da concessionária e os trouxe de volta para fazerem o conserto. O povo foi à loucura!
Assim que o carro estacionou sob o poste onde o transformador tinha estourado um bando de meninos da comunidade subiu no carro dizendo que eles só sairiam dali quando a luz tivesse voltado! Boa manobra! Sequestraram os caras! Os trabalhadores da Ampla não tiveram outra opção a não ser consertar a maldita luz. Foram escoltados por dois carros lá pra dentro da rua, devia ser onde era o tal "mato" onde aquele povo morava. De lá, os homens não voltaram...
A noite caía quando, desanimados, voltamos pra casa pra jantar. Fizemos um macarrão à luz de velas (nada romântico). De casa eu ainda podia ouvir o protesto e ver as luzes vermelhas da polícia piscando. Resolvemos voltar para a manifestação e ver como andavam as coisas. Mais de 24 horas sem luz!
Voltamos quando outros carros da concessionária, muito festejados, chegaram e vários técnicos passaram a trabalhar em diversos postes. A noite caiu de vez. A maioria dos vizinhos, conversando entre si, já duvidava que conseguíssemos luz naquela noite, pois havia passado o dia inteiro e ninguém tinha vindo consertar nada! Mas a luz foi acendendo. Primeiro uma fase... o povo fez um minuto de silêncio. Aguardando... Outra fase voltou e o povo gritava feliz... Mas ninguém arredou pé do protesto. Incrédulos, ficamos esperando.
Três minutos de luz e... BOOOM!!! O transformador estourou de novo! Na frente de todo mundo, na fuça dos técnicos da Ampla e da polícia. Tudo no escuro de novo! Eu não acreditava! Um vizinho que morava na frente do poste que havia estourado, contava que tinha perdido a geladeira e outros eletrodomésticos com os picos de luz e que estava preparando um processo coletivo contra a concessionária. Também disse que assistiu ao transformador, aquele mesmo, pegar fogo na noite anterior, quando começara a falta de luz. Situação absurda pro cidadão!
Finalmente, às 8h da noite a luz voltou de vez! Celebração em massa. Mas antes do povo se dispersar, a "barraqueira do bem" veio cumprimentar os moradores da nossa travessa.
- Olha, obrigada vocês aí por terem participado do nosso movimento. - dizia ela e apertou a mão de cada um de nós.
Dissemos que era nosso interesse também estar ali e que ela não tinha o que agradecer. Terminamos dizendo que se ela se candidatasse a qualquer coisa, a gente votava nela, pois ela tinha o dom, a mulher que resolve! Ela se foi toda sem graça com os elogios, dizendo que não tinha feito nada de mais não.
O Brasil precisava de mais gente barraqueira assim. Com mais protestos, as coisas iriam melhorar por aqui...
Fui dormir feliz.
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sexta-feira, 1 de março de 2013
Do virtual pro real
Mais uma sexta-feira e ela pretendia relaxar. Comprou a já tradicional garrafa de vinho tinto para ser sua companhia naquela noite. Era assim que costumava passar suas noites de sexta-feira e sábado. Sentada na confortável poltrona de seu quarto, em frente à tela do computador, bebericando vinho e jogando papo fora via internet.
Apesar do calor de dezembro, ligava o ar condicionado e curtia o vinho. A embriaguez lentamente tomando conta de seus músculos, descontraindo a cabeça, melhorando o humor. Ligava uma música no computador e até cantava. Tudo ficava mais divertido, com cara de fim de semana.
Olhava a lista dos seus pretendentes, fazia leitura dinâmica das mensagens que haviam chegado ao longo da semana, verificava as "piscadas" que recebera. Nada de bom. Como era de praxe. Já usava aquele site de relacionamentos desde os 15 anos de idade, sempre que estava solteira. Sucessos e fracassos fazem parte da vida. Conhecera alguns homens que se tornaram bons amigos, outros que passaram sem sequer deixar nem rastro e outros que gostaria de esquecer. Estava cansada, mas ainda possuía uma semana de assinatura do site. Cancelara a renovação automática e pretendia dar um tempo daquele "supermercado de gente". Mas ainda tinha uma semana...
"Opa, um interessante aqui... Ah, só quer sexo. Opa, esse pode ser legal. Droga! Casado e cheio de filhos. Ahhhh, vamos ver esse... Hiii, socorro, mora lá no quinto dos infernos!" E assim, só o vinho fazia companhia realmente pois a internet estava cruel.
De repente, seus olhos captaram um sorriso. Sorrisão grande e sincero. "Que sorriso bonito! Vamos ver..." E clicou na foto do rapaz sorridente. Não era um dos que aparecia na busca com os parâmetros dela, porém o próprio site sugeria algumas pessoas, mostrando fotinhos que ficavam ao redor da página principal, como anúncios, chamando sua atenção. Boa técnica de marketing...
Ele foi pego de surpresa, pois não era padrão das mulheres convidar pra sair, muito menos convidar logo de cara. Mas ele, rapaz evoluído, não concluiu nada de ruim sobre a moça. Achou até bom ela ser "despachada" o suficiente para não ficar enrolando e enrolando e nunca marcar encontro na vida real. Então aceitou sorridente... Se encontrariam no final da tarde do sábado.
O encontro foi num belo fim de tarde/noite quente do horário de verão. Caminhada ao longo da praia, bom barzinho, chope gelado, conversas e sorrisos, toques... e beijos. Olhos nos olhos, o castanho-mel dos olhos dela o encantaram. A conversa fácil e o toque suave dele a interessaram... E a química foi instantânea! Então, depois de muitos beijos e amassos, ela, "saidinha" como era, já convidara o rapaz para a próxima etapa, o test drive. Até agora, eles haviam combinado em tudo, restava saber como seria na horizontal.
No dia seguinte, domingo, hora marcada ele chegou na casa dela, durante um churrasco que acontecia lá, e ela não teve dúvidas: se retirou sem cerimônias da festinha para o quarto com ele. A química foi mais do que confirmada! As sensações e os sentidos se misturaram, os suores se tornaram um só, e acabaram um nos braços do outro.
O que havia começado apenas com um clique virtual tinha virado bem real, bem carnal...
Passaram a conversar todas as noites e a trocar mensagens de celular o dia todo, todos os dias e a primeira semana se passou. Em pleno sábado à noite, deitados na cama dela conversando, veio o pedido dele:
- Quer namorar comigo?
Ela não esperava por aquilo. Tantos anos tentando achar a pessoa certa, e nem ao menos um infeliz tinha sido suficientemente bom para chegar àquele momento, para ser digno de manter um relacionamento adulto e oficial com ela. E ela já passara a pensar que nunca mais ouviria aquela frase... Pensou por alguns instantes, atordoada, avaliando aquela primeira semana com o rapaz e decidindo no instante seguinte que:
- Sim, quero.
De lá pra cá foram 2 anos e 3 meses de muita união, de uma parceria total e irrestrita, de muito diálogo, muitas descobertas, férias e passeios, muitas aventuras, muitos planos e finalmente amanhã é o dia em que se casam. Não oficialmente, como não poderia deixar de ser, pois eles eram diferenciados, dois "pontos fora da curva", criaturas diferentes que gostavam de fugir sempre do comum, do que todo mundo faz, do padronizado, fugir do "basicão". Vão morar juntos, a mudança tendo sido decidida e feita em 5 dias, tudo meio correndo, meio confuso, mas com muita alegria, muita certeza...
Na era do virtual, esse casal conseguiu se achar, construir uma sintonia inigualável, sair do "oi, de onde tc?" chatinho e padrão da internet. Fizeram uma história diferente, de gente de verdade, que não se importa com as pressões sociais, que comemora dia dos namorados em época diferente, que viaja pra lugares que ninguém vai, que tem identidade suficiente pra dizer que não pretendem ter filhos, que curte churrasquinho a dois no quintal e não se importa com carnaval, e que cultiva hortinha de tomates, pimenta e salsinha e até um lagarto no jardim da casa.
No meio de tantas informações, na era do www, das redes sociais, de todo mundo conectado, dois estranhos se encontraram e, a partir de um clique, se encontraram ... o príncipe e beijou a princesa e vão viver felizes para sempre...
E aqui começa outro capítulo dessa história de amor.
Apesar do calor de dezembro, ligava o ar condicionado e curtia o vinho. A embriaguez lentamente tomando conta de seus músculos, descontraindo a cabeça, melhorando o humor. Ligava uma música no computador e até cantava. Tudo ficava mais divertido, com cara de fim de semana.
Olhava a lista dos seus pretendentes, fazia leitura dinâmica das mensagens que haviam chegado ao longo da semana, verificava as "piscadas" que recebera. Nada de bom. Como era de praxe. Já usava aquele site de relacionamentos desde os 15 anos de idade, sempre que estava solteira. Sucessos e fracassos fazem parte da vida. Conhecera alguns homens que se tornaram bons amigos, outros que passaram sem sequer deixar nem rastro e outros que gostaria de esquecer. Estava cansada, mas ainda possuía uma semana de assinatura do site. Cancelara a renovação automática e pretendia dar um tempo daquele "supermercado de gente". Mas ainda tinha uma semana...
Bebia o vinho com alegria enquanto fazia uma busca de acordo com seus padrões. Vamos lá, requisitos: nível superior completo, entre 35-42 anos, solteiro/divorciado, morador da mesma cidade, medindo 1,85 a 2,00m de altura (sim, ela sabia que isso reduzia em 99% seu universo de busca, mas era uma paranóia antiga esse negócio de altura), pesando entre 90 e 120kg (ok, também é complicado...)
Humm, vejamos os perfis que o site mostra...
Nossa, que tristeza! A maioria nem sabia se apresentar ou escrevia "Venha me conhecer pessoalmente, gata, pois não sou bom em me descrever". Porra, a pessoa que não sabe nem o mínimo sobre si mesmo para colocar no perfil ou tem preguiça de escrever 50 palavrinhas sobre si, sinceramente não podia ser interessante. O resto dos manés escrevia com um português tão errado, ou usando termos tão grosseiros que ela já começava a achar que era melhor ser cega do que ler aquilo.
"Opa, um interessante aqui... Ah, só quer sexo. Opa, esse pode ser legal. Droga! Casado e cheio de filhos. Ahhhh, vamos ver esse... Hiii, socorro, mora lá no quinto dos infernos!" E assim, só o vinho fazia companhia realmente pois a internet estava cruel.
De repente, seus olhos captaram um sorriso. Sorrisão grande e sincero. "Que sorriso bonito! Vamos ver..." E clicou na foto do rapaz sorridente. Não era um dos que aparecia na busca com os parâmetros dela, porém o próprio site sugeria algumas pessoas, mostrando fotinhos que ficavam ao redor da página principal, como anúncios, chamando sua atenção. Boa técnica de marketing...
Então ela leu o perfil. Nível superior - ok, idade - ok, divorciado sem filhos - mais do que ok, local de moradia - ok... Então ela passou a ler as descrições de si e do par que ele buscava. As palavras corretas, dançando deliciosamente para ela, com melodia, com alma, com sinceridade... como um poema. Ela nunca havia lido nada de útil nos perfis masculinos em geral, porém esse perfil parecia especial. Diferente de tudo e de todos. Destacado. O rapaz certamente sabia escrever, expressava sentimentos e exprimia seus objetivos em poucas, suaves e certeiras palavras. Impressionou.
Ela resolveu investir e imediatamente enviou um e-mail para ele... Caprichou nas palavras, pra impressionar também. Queria que ele percebesse que atrás daquela foto bonitinha de perfil havia uma mulher, com cérebro, coração e tudo mais que vinha junto. Enviou e tomou mais um gole de vinho...
De repente pulou em sua tela o pedido de chat. Ele estava on-line! Havia lido seu e-mail, provavelmente o perfil dela e já estava fazendo contato! Que delícia!
Desde as primeiras palavras o papo fluía. Era tão intelectualmente estimulante e deliciosamente sensual que nem perderam tempo em se apresentar. Os nomes vieram apenas horas depois, quando já sabiam várias coisas um do outro. Era como se se conhecessem há tempos... Era como se precisassem saber ainda mais!
Passaram então para o telefone. Tinham muitas coisas a conversar. As horas voaram, a garrafa de vinho secou... Risadas ecoavam pelo quarto madrugada adentro. Sorrisos e risadas através do fio.
O sono finalmente chegou, hora de se despedirem. Ficava a promessa de se telefonarem outro dia, de se encontrarem on-line para conversarem mais outra vez... Ela franziu o cenho e estranhou. Prática e decidida disparou um convite para se encontrarem no dia seguinte. Não podiam perder tempo! Por quê não, se havia tudo fluído tão bem até ali? Faltava só o olho no olho... Saber da química da pele...
Ele foi pego de surpresa, pois não era padrão das mulheres convidar pra sair, muito menos convidar logo de cara. Mas ele, rapaz evoluído, não concluiu nada de ruim sobre a moça. Achou até bom ela ser "despachada" o suficiente para não ficar enrolando e enrolando e nunca marcar encontro na vida real. Então aceitou sorridente... Se encontrariam no final da tarde do sábado.
O encontro foi num belo fim de tarde/noite quente do horário de verão. Caminhada ao longo da praia, bom barzinho, chope gelado, conversas e sorrisos, toques... e beijos. Olhos nos olhos, o castanho-mel dos olhos dela o encantaram. A conversa fácil e o toque suave dele a interessaram... E a química foi instantânea! Então, depois de muitos beijos e amassos, ela, "saidinha" como era, já convidara o rapaz para a próxima etapa, o test drive. Até agora, eles haviam combinado em tudo, restava saber como seria na horizontal.
No dia seguinte, domingo, hora marcada ele chegou na casa dela, durante um churrasco que acontecia lá, e ela não teve dúvidas: se retirou sem cerimônias da festinha para o quarto com ele. A química foi mais do que confirmada! As sensações e os sentidos se misturaram, os suores se tornaram um só, e acabaram um nos braços do outro.
O que havia começado apenas com um clique virtual tinha virado bem real, bem carnal...
Passaram a conversar todas as noites e a trocar mensagens de celular o dia todo, todos os dias e a primeira semana se passou. Em pleno sábado à noite, deitados na cama dela conversando, veio o pedido dele:
- Quer namorar comigo?
Ela não esperava por aquilo. Tantos anos tentando achar a pessoa certa, e nem ao menos um infeliz tinha sido suficientemente bom para chegar àquele momento, para ser digno de manter um relacionamento adulto e oficial com ela. E ela já passara a pensar que nunca mais ouviria aquela frase... Pensou por alguns instantes, atordoada, avaliando aquela primeira semana com o rapaz e decidindo no instante seguinte que:
- Sim, quero.
De lá pra cá foram 2 anos e 3 meses de muita união, de uma parceria total e irrestrita, de muito diálogo, muitas descobertas, férias e passeios, muitas aventuras, muitos planos e finalmente amanhã é o dia em que se casam. Não oficialmente, como não poderia deixar de ser, pois eles eram diferenciados, dois "pontos fora da curva", criaturas diferentes que gostavam de fugir sempre do comum, do que todo mundo faz, do padronizado, fugir do "basicão". Vão morar juntos, a mudança tendo sido decidida e feita em 5 dias, tudo meio correndo, meio confuso, mas com muita alegria, muita certeza...
Na era do virtual, esse casal conseguiu se achar, construir uma sintonia inigualável, sair do "oi, de onde tc?" chatinho e padrão da internet. Fizeram uma história diferente, de gente de verdade, que não se importa com as pressões sociais, que comemora dia dos namorados em época diferente, que viaja pra lugares que ninguém vai, que tem identidade suficiente pra dizer que não pretendem ter filhos, que curte churrasquinho a dois no quintal e não se importa com carnaval, e que cultiva hortinha de tomates, pimenta e salsinha e até um lagarto no jardim da casa.
No meio de tantas informações, na era do www, das redes sociais, de todo mundo conectado, dois estranhos se encontraram e, a partir de um clique, se encontraram ... o príncipe e beijou a princesa e vão viver felizes para sempre...
E aqui começa outro capítulo dessa história de amor.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Desejando o vazio... e uma nova vida.
O fim se aproxima e eu me sinto ansiosa, como não podia deixar de ser. A sensação opressiva, o clima horroroso, a falta de comunicação, a falsidade no ar... tudo isso me cansa. Estou exausta disso. Muito cansada! Quero que tudo acabe logo. E estou sofrendo lentamente esse final...
Não precisava ser assim. Por mim, não seria. Nunca! Mas não depende de mim fazer uma outra criatura que não sabe ser sensível nem se comunicar dizer o que pensa, conversar, ser razoável. Infelizmente não depende de mim. Isso se aprende no berço.
E a sensação de final ruim permanece. Depois de toda a amizade, de todos os longos anos de convivência, só mereci ouvir desaforos, xingamentos e perceber a raiva acumulada contra mim. Eu não merecia. Nem tinha ideia de que alguma coisa andava errada. A criatura não se exprime. Nem deve saber o que isso significa. Mas sabe agredir. Ah, isso sabe bem!
E eu, criada por papai e mamãe, em berço de amor, compreensão, muita conversa e reflexão, não sei lidar com agressão e ódio, mentiras, fingimentos. E infelizmente moro com uma criatura que é incompreensiva, agressiva e que não conhece os benefícios de uma boa conversa, sem estresses, sem brigas. E eu sofro cada vez que tenho algo a dizer a ele. Pois sei que serei recebida a facadas, gritos e agressões das mais diversas. Odeio ter ainda que conviver com ele. É uma tortura indizível!
Lamentável terminar algo que poderia ser uma relação boa de amizade, por longos cinco anos, dessa forma. Cheia de tristezas, de lamentos, de maus sentimentos, e principalmente de mágoas. Incompreensões.
Paguei cada centavo que ele investiu comigo na casa, mas não recebi nada pelo que na casa já havia e foi usado. Fiz diversos arranjos para a criatura e não receberei nem um obrigado. Peguei empréstimos para ele, levei bronca do meu pai, menti para a minha mãe por ele, e no final sou taxada de "a errada", "a injusta", a "fofoqueira insuportável".
É triste e injusto.
Verdade é que não foi sempre ruim. Os primeiros anos foram de amizade (ou assim eu penso - ainda) e colaboração. Era uma parceria boa, na qual um ajudava o outro. Em algum momento isso se perdeu. Em algum momento ele não soube dizer como se sentia e foi guardando raiva de mim. Hoje a conversa é simplesmente impossível. É insuportável cruzar com ele dentro da casa. E eu me sinto oprimida com a presença dele na minha própria casa. Triste fim para aquilo que já foi alegre e bom.
Mas não reclamarei mais. Estou só ansiosamente esperando que os últimos dias passem, que eu o veja o mínimo possível dentro de casa, que não precise conversar mais do que o necessário. Ele quis assim. E eu vou me respeitar. Não preciso ouvir palavrões nem sofrer violência. Ninguém nunca me fez sofrer tanto e eu não mereço isso.
Assim, sem mais palavras, vou vivendo ali no meu quarto, torcendo e querendo muito abrir a porta e encontrar a casa vazia...
O Vazio.
Minha voz ecoando...
Sozinha. E bem acompanhada!
É o início de algo novo. E bom.
Do vazio irá surgir a vida que eu mereço viver, com alguém que me compreende e que gosta de mim.
Sem fingimentos, sem silêncios, sem tensão no ar.
Com harmonia, com solidariedade e principalmente, com muito diálogo e amor.
Faltam 4 dias...
Não precisava ser assim. Por mim, não seria. Nunca! Mas não depende de mim fazer uma outra criatura que não sabe ser sensível nem se comunicar dizer o que pensa, conversar, ser razoável. Infelizmente não depende de mim. Isso se aprende no berço.
E a sensação de final ruim permanece. Depois de toda a amizade, de todos os longos anos de convivência, só mereci ouvir desaforos, xingamentos e perceber a raiva acumulada contra mim. Eu não merecia. Nem tinha ideia de que alguma coisa andava errada. A criatura não se exprime. Nem deve saber o que isso significa. Mas sabe agredir. Ah, isso sabe bem!
E eu, criada por papai e mamãe, em berço de amor, compreensão, muita conversa e reflexão, não sei lidar com agressão e ódio, mentiras, fingimentos. E infelizmente moro com uma criatura que é incompreensiva, agressiva e que não conhece os benefícios de uma boa conversa, sem estresses, sem brigas. E eu sofro cada vez que tenho algo a dizer a ele. Pois sei que serei recebida a facadas, gritos e agressões das mais diversas. Odeio ter ainda que conviver com ele. É uma tortura indizível!
Lamentável terminar algo que poderia ser uma relação boa de amizade, por longos cinco anos, dessa forma. Cheia de tristezas, de lamentos, de maus sentimentos, e principalmente de mágoas. Incompreensões.
Paguei cada centavo que ele investiu comigo na casa, mas não recebi nada pelo que na casa já havia e foi usado. Fiz diversos arranjos para a criatura e não receberei nem um obrigado. Peguei empréstimos para ele, levei bronca do meu pai, menti para a minha mãe por ele, e no final sou taxada de "a errada", "a injusta", a "fofoqueira insuportável".
É triste e injusto.
Verdade é que não foi sempre ruim. Os primeiros anos foram de amizade (ou assim eu penso - ainda) e colaboração. Era uma parceria boa, na qual um ajudava o outro. Em algum momento isso se perdeu. Em algum momento ele não soube dizer como se sentia e foi guardando raiva de mim. Hoje a conversa é simplesmente impossível. É insuportável cruzar com ele dentro da casa. E eu me sinto oprimida com a presença dele na minha própria casa. Triste fim para aquilo que já foi alegre e bom.
Mas não reclamarei mais. Estou só ansiosamente esperando que os últimos dias passem, que eu o veja o mínimo possível dentro de casa, que não precise conversar mais do que o necessário. Ele quis assim. E eu vou me respeitar. Não preciso ouvir palavrões nem sofrer violência. Ninguém nunca me fez sofrer tanto e eu não mereço isso.
Assim, sem mais palavras, vou vivendo ali no meu quarto, torcendo e querendo muito abrir a porta e encontrar a casa vazia...
O Vazio.
Minha voz ecoando...
Sozinha. E bem acompanhada!
É o início de algo novo. E bom.
Do vazio irá surgir a vida que eu mereço viver, com alguém que me compreende e que gosta de mim.
Sem fingimentos, sem silêncios, sem tensão no ar.
Com harmonia, com solidariedade e principalmente, com muito diálogo e amor.
Faltam 4 dias...
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